Ações, em 12 Estados, contam com 150 promotores e
1.300 policiais.
Desvio em órgãos públicos e lavagem de dinheiro estão entre os crimes.
Mais de 150 promotores e 1.300 policiais fazem
nesta terça-feira (9) operações de combate à corrupção em pelo menos 12 Estados.
As ações são coordenadas pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas em parceria com diversos órgãos e têm como objetivo desmantelar esquemas criminosos cujos desvios de verbas podem ultrapassar R$ 1,1 bilhão.
As ações são coordenadas pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas em parceria com diversos órgãos e têm como objetivo desmantelar esquemas criminosos cujos desvios de verbas podem ultrapassar R$ 1,1 bilhão.
A "Operação Nacional Contra
a Corrupção" cumpre 92 mandados de prisão, 337 mandados de busca e
apreensão, 65 mandados de bloqueio de bens e 20 mandados de afastamento das funções
públicas.
Entre as irregularidades estão
desvio de dinheiro em órgãos municipais e estaduais, pagamento de propinas,
superfaturamento de produtos e serviços, utilização de empresas fantasmas,
lavagem de dinheiro, compra de sentenças, sonegação fiscal e enriquecimento
ilícito de agentes públicos.
As investigações são realizadas
nos seguintes estados: Bahia, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato
Grosso do Sul, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Rondônia e São Paulo.
Veja informações sobre as
operações nos Estados:
Sonegação no café em MG, ES, RJ - A operação chamada "Robusta" ocorre simultaneamente no Rio
de Janeiro, no Espírito Santo e em Minas Gerais, com o objetivo de combater
sonegação fiscal na compra e venda de café.
De acordo com o Ministério
Público, há operações simuladas de venda de café de produtores rurais do Rio de
Janeiro para Minas Gerais e Espírito Santo.
As investigações começaram em
maio de 2012 e duraram cerca de um ano. No esquema, o produto do Espírito Santo
era vendido dentro do próprio estado, mas com nota fiscal de empresas
supostamente de fachada do Rio de Janeiro e de Minas Gerais.
De acordo com o Ministério
Público, a produção anual de café do Rio de Janeiro é de 250 mil sacas. O Rio
de Janeiro enviou ao Espírito Santo, no entanto, mais de 3 milhões de sacas em
2012, o que chamou a atenção das autoridades.
A estimativa é que, nos últimos
três anos, o esquema tenha lucrado mais de R$ 180 milhões. Aproximadamente R$ 2
bilhões em notas fiscais eletrônicas foram emitidas pelas empresas envolvidas
no esquema.
No Rio de Janeiro, a operação cumpriu
três mandados de busca e apreensão e apreendeu documentos na Secretaria de
Estado de Fazenda, em Itaperuna, no Noroeste Fluminense.
Em Minas Gerais, sete empresas e dois
escritórios de contabilidade foram alvos da ação, que cumpre ordens judiciais
de busca e apreensão em Ervália e Manhuaçu, na Zona da Mata de Minas Gerais, e
Resplendor, no Vale do Rio Doce.
No Espiríto Santo, 10 mandados de
prisão temporária contra empresários serão cumpridos, principalmente em cidades
do interior, além de 11 mandados de busca e apreensão. Até o final da manhã,
sete empresários haviam sido presos e três continuavam foragidos, segundo o
Ministério Público do Espírito Santo.
Corrupção no Noroeste de SP - Batizada de "Fratelli", a ação investiga contratos
suspeitos de fraude firmados com prefeituras de 80 municípios da região, no
total de mais de R$ 1 bilhão, segundo o Ministério Público.
O estado de São Paulo concentra a
maior parte da operação nacional. São cumpridos 13 mandados de prisão contra
empresários, funcionários públicos e políticos e 160 mandados de busca e
apreensão expedidos pela Justiça Federal em Jales (SP)
e pela Justiça Estadual em Fernandópolis (SP).
Equipes do Gaeco cumprem mandados
de busca nas prefeituras de Urupês, Catiguá, Paulo de Faria, Palestina, Guapiaçu, Ibirá, Uchoa, Monte Aprazível, Ariranha, Novo Horizonte,Potirendaba, Catanduva, Fernandópolis, Jales, Votuporanga e também de Cafelândia.
Muitas delas estão com as portas fechadas por conta da operação.
Os agentes ainda cumprem mandados
de busca e apreensão em Cafelândia, na região Centro-Oeste do
Estado. A prefeitura também está fechada e só deve reabrir para expediente
normal depois das 14 horas.
Agentes federais também fazem
buscas nas casas de empresários e nas sedes de empresas que estariam envolvidas
com o esquema de fraudes.
Habilitação falsa em MS, MT e SP - A operação "Risco Duplo" investiga a venda de Carteira
Nacional de Habilitação (CNH) em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e São Paulo.
As investigações começaram há
seis meses e, de acordo com Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul, a fraude ultrapassa o montante
de R$ 500 mil. Os suspeitos são funcionários de autoescolas e aliciadores que
tinham a função de cooptar clientes interessados na compra de CNHs e na
aquisição de cursos que permitam a condução de cargas perigosas e de
passageiros.
Foram expedidos sete mandados de
prisão: seis em Anastácio, Ivinhema, Nioaque, Jateí e Sidrolândia, em Mato Grosso do Sul, e um em Cuiabá,
Mato Grosso.
O suspeito de liderar a quadrilha e o irmão dele foram detidos em
Anastácio, a 134 km de Campo Grande. O detido na capital mato-grossense será
transportado de helicóptero para Campo Grande. Todos serão interrogados pelos
promotores que integram o Gaeco.
Os suspeitos detidos por
envolvimento no grupo podem ser indiciados por falsidade ideológica e formação
de quadrilha. Os que forem identificados como compradores dos documentos
falsificados podem ser enquadrados por corrupção ativa.
Venda de sentença em
MT - Agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate
ao Crime Organizado (Gaeco) devem cumprir cinco mandados de prisão e outros
cinco de busca e apreensão no Mato Grosso contra acusados de envolvimento na
venda de decisões judiciais em favor de traficantes de drogas, conforme apontam
investigações do Ministério Público Estadual (MPE).
Os mandados devem ser cumpridos
contra um advogado, um estagiário de direito e um servidor do Poder Judiciário
mato-grossense. Por meio das investigações foi descoberta uma suposta
negociação de compra de decisão por mais de R$ 1 milhão para que fossem
colocados em liberdade traficantes presos pela Polícia Federal em Porto Esperidião, a 358 km da capital.
Além disso, foi constatada duas
tentativas de suborno de um assessor jurídico da Vara Especializada contra o
Crime Organizado, Ordem Tributária e Econômica e Administração Pública (leia mais sobre a ação).
Lavagem de dinheiro no PR - Mais de 20 mandados de prisão serão cumpridos em Apucarana,
Londrina, Cambé e outras duas cidades no norte do Paraná. Ao todo, serão
cumpridos 24 mandados de prisão e 46 de busca e apreensão no estado.
Até as 13h, 23 pessoas tinham
sido presas e uma permanecia foragida. Entre os presos estão dois
investigadores, um deles indiciado por porte de droga. O delegado chefe de
Apucarana foi afastado do cargo por determinação da Justiça. No total, 26
pessoas são investigadas pelo MP.
Em Apucarana, de acordo com a
investigações, empresários estariam pagando proprina à policiais para poder
fabricar mercadorias ilícitas. Além disso, eles também são suspeitos de
sonegação fiscal e lavagem de dinheiro.
A operação foi batizada
localmente de "Jolly Roger", em alusão à bandeira pirata (dado o fato
de que é a pirataria de produtos que enseja a corrupção policial e sonegação).
Participam da operação no norte do estado cerca de 150 pessoas, entre membros e
auditores do MP, policiais, auditores da Receita Federal e agentes fiscais da
Receita Estadual.
Ex-prefeito é preso em Rondônia - O ex-prefeito de Porto Velho Roberto Sobrinho foi preso no início da manhã desta terça-feira
(9) em Rondônia. Cinco mandados de prisão devem ser cumpridos na capital,
depois que 25 servidores da prefeitura e da Empresa Municipal de
Desenvolvimento Urbano (Emdur) foram investigados por desvios de dinheiro, por
meio de uma organização criminosa instalada no órgão e que seria chefiada pelo
então prefeito.
Por volta das 5h, policiais
chegaram à residência de Sobrinho, onde a prisão aconteceu, às 6h. O
ex-prefeito não foi algemado e, ao deixar a casa, disse não saber os motivos da
prisão. "Isso é uma injustiça", afirmou. Ele seguiu para a sede do
Instituto Médico Legal (IML), em Porto Velho, em uma viatura sem identificação.
De acordo com a polícia, o
ex-vereador Mario Sérgio, o policial militar Edson Penha Ribeiro Filho, também
investigados no esquema de desvios, foram presos. Todos devem ser levados para
a penitenciária de Médio Porte (Pandinha).
Fraudes em eventos
festivos no RN - A operação "Máscara Negra" realizada
pelo Ministério Público do Rio Grande do
Norte combate supostas fraudes em licitações para
contratações de bandas de eventos festivos no estado e ainda em São Paulo,
Ceará, Pernambuco, Bahia e Paraíba. Os mandados de busca e apreensão e de
prisão são assinados pela juíza da comarca de Macau,
cidade a 180 km de Natal,
Cristiane Maria de Vasconcelos Batista.
A operação foi
deflagrada pelo MP em parceria com diversos órgãos para o cumprimento de
mandados de prisão, de busca e apreensão, de bloqueio de bens e de afastamento
das funções públicas. A investigação apura fraudes em eventos festivos
ocorridos nas cidades de Macau e Guamaré,
ambas na região Costa Branca do estado.
"Havia o
superfaturamento. Os valores chegam a ser 100%, 200% e até 400% a mais do que
eles contrataram", afirmou a promotora Patrícia Antunes Martins,
coordenadora do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado
(Gaeco), referindo-se às contratações festivas nas duas cidades (leia mais sobre a operação).
Ceará
- Polícia Federal, com apoio do MP, cumpre 31 mandados de busca e apreensão em
investigação contra corrupção no município de Quixeramobim, a 206 km de
Fortaleza. O prefeito, o vice-prefeito, dez secretários municipais, o
procurador-geral do município e vários dirigentes de autarquias são suspeito de
desviar R$ 6 milhões por meio de fraudes de licitação. Segundo o MP, 26 pessoas
estão sendo investigadas.
Bahia
- Quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Salvador e em
Serrinha, localizada a cerca de 173 km da capital, em uma operação contra
desvio de verba pública. Foram apreendidos computadores e cópias de contratos
particulares públicos.



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