Durante participação em aula magna na Universidade de Brasília,
presidente do STF também comentou o polêmico processo de eleição do Pastor
Marco Feliciano para comando de colegiado na Câmara
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| Em aula magna, ministro critica proposta que retira poder de investigação do MP |
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF),
ministro Joaquim Barbosa, fez críticas na sexta-feira (5) à Proposta de Emenda
à Constituição 37/2011, a PEC 37, que atribui
exclusivamente às polícias Federal e Civil a competência para a investigação
criminal, além de determinar que o Ministério Público não tem como atribuição
conduzir apurações sobre indícios de crime. A proposta foi aprovada em comissão
especial, com relatoria do deputado Fábio Trad (PMDB-MS).
Joaquim Barbosa condenou o
propósito da PEC 37, de autoria do deputado Lourival Mendes (PTdoB-MA),
ao participar de aula magna na Universidade de Brasília (UnB). “Acho péssimo,
péssimo. A sociedade brasileira não merece uma coisa dessas”, afirmou o
magistrado, em rápida entrevista a jornalistas que o abordaram no evento, sem
explicar as razões para tal opinião.
Defendida principalmente pelos delegados de
polícia, a PEC 37 sofre forte oposição tanto do Ministério Público (MP) quanto
de diversas entidades da sociedade civil, que a batizaram de “PEC da
Impunidade”. Eles entendem que a emenda, se aprovada, aumentará a interferência
política em inquéritos policiais (já que as polícias Federal e Civil são
subordinadas ao Executivo); retirará da investigação um organismo – o MP – que
em praticamente todo o mundo civilizado participa da apuração criminal; e
representará um retrocesso no combate ao crime.
Os delegados rebatem, argumentando que o Ministério
Público brasileiro acumulou poderes excessivos, e que não pode, ao mesmo tempo,
investigar e oferecer a denúncia criminal à Justiça. A investigação, alegam os
defensores da PEC 37, fica contaminada quando exercida por quem tem a
incumbência legal de acusar.
A palestra de Joaquim Barbosa
marcou o início do semestre letivo na UnB. Em meio a intensa tietagem, o ministro
falou sobre diversos temas afeitos ao Judiciário para a comunidade acadêmica da
UnB. Um dos temas abordados foi o acórdão sobre o julgamento do mensalão, com a condensação
de todos os votos dos ministros do STF sobre a Ação Penal 470, documento que
ficará pronto nos próximos dias, segundo Joaquim. Trata-se do maior julgamento
da história do Supremo, em que políticos como os deputados José Genoino (PT-SP)
e João Paulo Cunha (PT-SP) e o ex-ministro José Dirceu, além do publicitário
mineiro Marcos Valério, foram condenados à prisão e ao pagamento de multas
milionárias. De 37 réus inicialmente arrolados na ação, 25 foram condenados e
12 absolvidos.
Marco Feliciano - Joaquim Barbosa também fez comentários, sem abordar
detalhes ou emitir juízo de valor, sobre a situação do deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), eleito presidente da
Comissão de Direitos Humanos sob acusações de racismo, homofobia e até
estelionato – ele é réu em ação penal instalada no STF por essa última
denúncia. Para Joaquim, a controvérsia do assunto é natural no ambiente de democracia
vivido pelo Brasil.
“É simples: o deputado Marco Feliciano foi eleito, pelos seus pares,
para assumir um determinado cargo dentro do Congresso Nacional. Perfeito. Os
deputados o fizeram porque está previsto regimentalmente. Agora, a sociedade
tem o direito de se exprimir – como tem feito – contrariamente à presença dele
neste cargo. Isso é democracia”, opinou o ministro, primeiro negro a
presidir o STF.
PEC polêmica - Pronta para a apreciação de plenário, a PEC 37 segue para votação
mergulhada em divergências não só entre parlamentares, mas também em meio à já
conturbada relação de policiais civis e federais com os promotores e
procuradores do Ministério Público. A determinação de levar o texto rapidamente
ao plenário tem sido recorrentemente manifestada por deputados de diversos
partidos, por meio da apresentação de requerimentos de sua inclusão na ordem do
dia.
De acordo com a proposta, protocolada em junho de 2011 pelo deputado
maranhense, “a falta de regras claras definindo a atuação dos órgãos de segurança
pública” em processos de investigação criminal “tem causado grandes problemas
ao processo jurídico no Brasil”. Na defesa de sua proposta, Lourival – delegado
de polícia “de classe especial”, como informa sua página na Câmara –, menciona
o entendimento do desembargador maranhense aposentado Alberto José Tavares.
“Ao Ministério Público Nacional são confiadas
atribuições multifárias de destacado relevo, ressaindo, entre tantas, a de
fiscal da lei. A investigação de crimes, entretanto, não está incluída no
círculo de suas competências legais. Apenas um segmento dessa honrada
instituição entende em sentido contrário, sem razão. Não engrandece nem
fortalece o Ministério Público o exercício da atividade investigatória de
crimes, sem respaldo legal, revelador de perigoso arbítrio, a propiciar o
sepultamento de direito e garantias inalienáveis dos cidadãos”, aponta o
desembargador.
Fonte:
Congresso em Foco

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