‘É minha primeira entrevista
a um blog, você está com moral’. Foi nesse clima que o senador Edison Lobão
Filho (PMDB-MA) conversou conosco por cerca de uma hora e meia, na tarde de
sexta-feira, em seu escritório no sistema Difusora de Comunicação, de sua
propriedade. Edinho, como é chamado por familiares, amigos e políticos, não
fugiu de nenhuma de nossas ‘interpelações’. A primeira delas, logo de cara, foi
quanto à candidatura do pai, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, ao
governo do Estado.
Franco,
direto e objetivo, Edinho disse que se o pai vai ou não disputar novamente o
Palácio dos Leões, isso dependerá exclusivamente das condições da sua voz. “Se
meu pai decidir ser candidato, automaticamente o Luís Fernando deixa de ser
candidato e passa a ser um grande cabo eleitoral dele e com certeza fazendo
parte seja na chapa, seja no governo”, afirmou Edinho, de maneira muito clara,
sem desmerecer o ‘adversário’ interno pela vaga.
Numa entrevista em que
alternou momentos de humor, seriedade e até de tensão, Edinho Lobão revelou que
a decisão única que terá que tomar o ministro Lobão – se é postulante ou não ao
governo no ano que vem cabendo ao grupo somente acatar a decisão tomada – faz
parte de um acordo com a governadora Roseana Sarney e o secretário de
Infraestrutura do Estado, Luís Fernando Silva. “Se em março meu pai disser que
é candidato, acabou, o Luís Fernando tem caráter e personalidade suficiente
para dizer que a vaga ao governo é do meu pai, tem mais história”, vaticinou
Edinho, ao se aproximar do titular do blog e fitar o olhar incisivamente no
intuito de demonstrar firmeza no que estava falando.
Sem deixar esconder sua
vontade, era visível no semblante de Lobão Filho o desejo de ver o genitor
candidato mais uma vez ao governo. “O ministro Edison Lobão acabou de ser
candidato, teve mais de dois milhões de votos, foi campeoníssimo eleitoral no
nosso estado apenas dois anos atrás. Isso mais do que a história dele o cacifa
para ser o candidato natural. Eu já disse a ele, meu pai eu dou condições no
palanque, eu dou potência no amplificador, eu dou a tecnologia pra você que te
amenize a falta de potência que você perdeu na voz. Essa parte eu resolvo”,
contou.
Em
função da dificuldade no falar e que isso poderia prejudicá-lo na campanha,
Lobão procurou a governadora e deu ‘autorização’, segundo Edinho, para o
secretário Luís Fernando se viabilizar. “Meu pai esteve com a Roseana e disse
pra ela deixar o Luís Fernando se viabilizar. Falou a ela que é candidato, mas
se não puder, achar que não tiver condições, o Luís Fernando vai estar
construído e segue a campanha do grupo”, declarou. Em relação ao candidato de
oposição, o presidente da Embratur, Flávio Dino, o senador acha que o comunista
“tem que mudar o discurso, não pode ser um discurso de ódio a família Sarney”.
“Ele não tem experiência administrativa para fazer um bom governo”.
Com
a família Sarney, Edinho foi generoso.
Afirmou
que o senador José Sarney não tem culpa alguma pelas mazelas do Maranhão, que
até hoje, depois de quase cinco décadas de mando de uma oligarquia (a mais
antiga em vigor no país), ocupa os últimos lugares nos indicadores sociais. Ele
atribui o fato de o estado está atrás dos demais em termos de desenvolvimento e
progresso às transferências de recursos federais. “Somos o penúltimo,
descobrimos isso somente agora, que somos o ‘patinho feio da República’. Então
a culpa não é de Sarney”, defendeu, ao ressaltar que o ex-presidente da
República nunca mandou nos governadores que apoiou.
“No
Lobão nunca mandou, nunca, nunca, nada, nada. Em Luiz Rocha? Pergunta pro
Roberto Rocha se Sarney mandava no pai dele. No João Castelo? Duvido, Castelo é
ditador, ninguém manda no João Castelo. Na Roseana? Tenho pena do Sarney com
Roseana, pena dele com Roseana. A Roseana não escuta o Sarney em nada. Pode ter
o Jorge Murad como marido falando de noite na cama dela, pode ter o secretário
dela, os amigos dela… Acredito que o Sarney pode influenciá-la politicamente.”
Perguntado sobre as possibilidades do candidato do grupo vencer a refrega
eleitoral do próximo ano, seja ele quem for, Edinho lembra que o Palácio dos
Leões nunca perdeu uma eleição.
Quando
o assunto foi a Refinaria Premium da Petrobras em Bacabeira, Edinho Lobão foi
duro. “Acho graça de algumas pessoas que dizem que isso foi estelionato
eleitoral, golpe eleitoral, achar que a Petrobras, ou o Lula, ou a Dilma, ou o
meu pai vai brincar para ganhar uma eleição. Se essa obra não sair é
responsabilidade exclusiva do meu pai e de ninguém mais, apesar de eu achar de
não tem como ela não sair”, disparou. Abaixo, confira a íntegra da entrevista
concedida pelo senador Edison Lobão Filho ao blog.
Blog do John Cutrim – Há a informação de que o Luís Fernando,
secretário de Infraestrutura do Estado, já teria sido escolhido o candidato do
atual grupo que comanda o governo do Estado para suceder a governadora Roseana
Sarney. Isso teria sido decidido inclusive em uma reunião em dezembro do ano
passado na Ilha de Curupu, com a presença do senador José Sarney, da própria
Roseana e de outros membros da cúpula sarneisista. Na mesma data, o ministro
Edison Lobão convalescia no hospital Albert Einstein, em São Paulo. O senhor
não achou isso uma falta de respeito com o seu pai, aliado fiel do grupo
Sarney? E realmente já está confirmado o nome do Luís Fernando?
Edinho Lobão – Vou dizer claramente o
que aconteceu, olhando no seu olho para você saber que é absolutamente
verdadeiro o que vou falar. Meu pai pela história política dele de sucesso, ele
é quatro vezes senador, foi governador, duas vezes deputados e atual ministro.
Ele tem exposição, experiência política suficiente, estrutura familiar robusta
que habilite a ele ser candidato. O ministro Edison Lobão acabou de ser
candidato, há dois anos ele teve mais de dois milhões de votos, foi
campeoníssimo eleitoral no nosso estado apenas dois anos atrás. Isso mais do
que a história dele o cacifa para ser o candidato natural. Pode aparecer
pesquisa do Flávio, do Antônio, do João, do José, isso não faz a menor
diferença. O Luís Fernando sempre votou na minha mãe (Nice Lobão, deputada
federal) durante todo período que ele foi político, prefeito. Trabalhou
conosco, foi secretário de estado no governo do meu pai junto comigo, eu
conheço o Luís Fernando desde 1990, o que faz 23 anos, eu nunca tive nenhuma
atitude do Luís Fernando seja direta ou indireta, na minha frente ou o que eu
ouvi falar por trás, nenhuma atitude de deslealdade, ingratidão, ou podemos
dizer assim de caráter menor. O que aconteceu foi que meu pai teve um problema
de saúde, uma isquemia cerebral, ou seja, entupimento da veia no cérebro.
Quando cheguei no hospital ele não conseguia falar nada, nenhuma palavra e não
mexia o braço. Depois de 15 dias ele recuperou o movimento do braço, perfeito,
o médico não acreditou, deu seis meses pro meu pai voltar a mexer. Aí meu pai
vira para mim e diz: ‘como é que vou ser candidato numa eleição onde eu vou
precisar fazer quatro comícios por dia e sem potencia de voz, fraca rouca’. Aí
eu chamei o Luís Fernando e perguntei se ele desejava ser candidato, um cara
extremamente competente tecnicamente, há um desejo da Roseana, uma boa vontade
e eu falei oficialmente pela minha família dando autorização para o Luís
Fernando se viabilizar. Não pode chegar em março e meu pai dizer que não é
candidato e só lá o Luís Fernando dizer que quer ser candidato. Meu pai esteve
com a Roseana e disse pra ela deixar o Luís Fernando se viabilizar. O meu pai
disse a ela que é candidato, mas se não puder, achar que não tiver condições, o
Luís Fernando vai estar construído e segue a campanha do grupo. Ou seja,
estamos mais unidos que a oposição, é claro que há dentro do grupo
movimentações, mas o grupo de uma forma geral é fechado.
JC – O senhor não acha que, como você acabou de falar, o fato de o
ministro Edson Lobão ser mais conhecido, ter tido uma votação maior do que a
governadora Roseana em 2010, não o coloca em condições melhores do que o Luís Fernando,
que agora que começa ter uma penetração maior no estado?
EL – O Luís Fernando é
menos conhecido, é justo que ele ande o interior, seja visto, coloque suas
ideias e conquiste um espaço. Se em março meu pai disser que é candidato,
acabou, o Luís Fernando tem caráter e personalidade suficiente para dizer que a
vaga ao governo é do meu pai, tem mais história. Se meu pai disser que não é
candidato, então pelo trabalho que o Luís Fernando já realizou na Prefeitura de
São José de Ribamar, o trabalho que ele já realizou na Casa Civil, o trabalho
que ele agora realiza na secretaria de Infraestrutura. Ninguém há de não votar
no Luís Fernando por desconhecimento ou ignorância ou que ele não teve
instrumentos para se viabilizar. Então ele vai ter o que dizer e as pessoas já
irão conhecê-lo. O Flávio Dino já um candidato construído há várias eleições,
ele já está posto candidato há muitos anos. O Flávio tem que mudar o discurso,
não pode ser um discurso de ódio a família Sarney…
JC – Mas o Flávio Dino sempre faz questão de dizer que não tem
nada pessoal contra a família Sarney, as divergências são quanto ao modelo de
gestão do grupo do qual você faz parte que coloca o Maranhão num patamar bem
abaixo em relação aos outros estados…
EL – Eu acho que o discurso
correto é o de proposição, plataforma e do que quer fazer no estado e não o
discurso que eu sou contra a família Sarney. Não existe. O Edson Lobão não é
Sarney, Lobão não é Roseana, Lobão é Lobão, foi Lobão no governo dele. Eu
acompanhei meu pai durante a vida inteira, eu nunca na minha vida presenciei
uma ligação do presidente José Sarney pedindo ou determinando ou induzindo
qualquer ato de governo dele. Eu sou um jovem, não consigo entender esse
discurso radical da oposição. O Sarney não mandou no governo do Cafeteira, do
João Castelo, da Roseana. A Roseana não escuta o Sarney em nada, mas tudo de
acontece de ruim aqui é o Sarney. Inacreditável. Não consigo entender esse ódio
da oposição contra o Sarney na medida em que o Sarney tem uma influência mínima
nos governos. Dizem que o Sarney manda no Maranhão há quarente anos.
JC – Senador, tirando o ex-governador Jackson Lago e o José
Reinaldo que rompeu, todos os outros governadores foram eleitos pelo grupo do
senador José Sarney e com seu apoio. Como isentar ele então? Como acreditar que
o Sarney não tem sua parcela de participação ou que não mandou em nada?
EL – Manda em que, em quem?
No Lobão nunca mandou, nunca, nunca, nada, nada. Em Luiz Rocha? Pergunta pro
Roberto Rocha se Sarney mandava no pai dele. No João Castelo? Duvido, Castelo é
ditador, ninguém manda no João Castelo. Você acha que Sarney mandou em João
Castelo naquele período? E olha que agora ele está mais tranquilo, mais humilde
que na época em que foi governador. Roseana, também não, tenho pena do Sarney
com Roseana, pena dele com Roseana. Roseana não o escuta em nada. Se Roseana
tem erros de governo, são 100% dela, e os acertos são 100% dela. Pode ter o
Jorge Murad como marido falando de noite na cama dela, pode ter o secretário
dela, os amigos dela… Acredito que o Sarney pode influenciá-la politicamente.
Voltando ao assunto, meu pai falou pra Roseana para o Luís Fernando se
viabilizar, eu disse também que meu pai tinha dito para o Luís Fernando se
construir, um cara que seria um grande governador, tecnicamente falando
preparado, com experiência, honesto. Então, um bom governador. E aí pela
ausência de outros nomes, perceba, quem seriam os possíveis nomes, João Alberto
está com oito anos de mandato e já disse que não quer; o Gastão gostaria e
ninguém está dizendo que não vai ser ele também; o Luís Fernando precisa
construir e o Gastão não precisa, é ministro, tem exposição, história política
longa e é conhecido no estado todo. Uma boa alternativa e quer também. O Luís
Fernando é uma opção de momento que precisa ser construída. Aí quando chegar em
março nós vemos se o Gastão pode, não pode, se o Luís Fernando pode, ou não
pode, o Gastão pode ou não pode. Aí podem perguntar se meu pai está irritado
com isso. De jeito nenhum. O Luís Fernando pode ser candidato, pode, a questão
é a voz do meu pai. Eu já disse a ele, meu pai eu dou condições no palanque, eu
dou potência no amplificador, eu dou a tecnologia pra você que te amenize a
falta de potência que você perdeu na voz. Essa parte eu resolvo. O que meu pai precisa
fazer é se aceitar com uma voz nova, não se rebelar em relação a uma nova
posição, ele sempre foi conhecido como magrinho da potência de gigante, agora é
um gigante com a voz magrinha.
JC – Então a condicionante para o ministro Lobão ser candidato ao
governo está relacionada apenas à voz. Se resolver isso, ele é candidato e o
Luís Fernando automaticamente deixa de o ser? Isso lembra o ano de 1990, quando
o preferido da família Sarney ao Palácio dos Leões era o hoje deputado federal
Zequinha Sarney. Ele não conseguiu se viabilizar e recorrerem ao plano B, que
foi o Lobão e acabou se tornando governador. Acha que essa mesma novela pode se
repetir agora?
EL – Se meu pai decidir ser
candidato, automaticamente o Luís Fernando deixa de ser candidato e passa a ser
um grande cabo eleitoral dele e com certeza fazendo parte seja na chapa, seja
no governo, eu digo que o Luís Fernando é peça fundamental. Isso é um acordo
feito com a Roseana, com o Luís Fernando e todos. Existe esse acordo, formal,
declarado, claro e que não desgosta ninguém, é um acordo bem acordado onde
todas as partes estão felizes e tranquilas. Hoje a situação é essa: o Luís
Fernando é pré-candidato e o Lobão pode ser pré-candidato, mas não é ainda.
JC – O senhor acha que tanto o ministro Edison Lobão ou o
secretário Luís Fernando tem condições de vencer a eleição em 2014? As
pesquisas indicam hoje uma liderança absoluta do presidente da Embratur, Flávio
Dino.
EL – O Palácio dos Leões
nunca perdeu uma campanha, mesmo quando foi ocupado por adversários, que
venceram as eleições. O Palácio dos Leões é um instrumento muito forte. O Zé
Reinaldo tinha 2% ou 3% e se elegeu. O Flávio Dino tem a prefeitura, o
candidato do grupo tem o governo, quando eu digo o governo é a penetração, a
capilaridade que tem no interior. Portanto, o candidato do governo tem
condições estratégicas mais significativas do que o candidato contra o governo,
é muito difícil ser contra o governo. Então eu acho que o Luís Fernando fazendo
um bom trabalho na secretaria de Infraestrutura isso dar a ele condições claras
de vencer a eleição. O candidato do nosso grupo tem condições de vencer a
eleição com facilidades. Se pegar o poste, como o Lula pegou o Haddad
[Fernando, ex-ministro de Educação e atual prefeito de São Paulo] em São Paulo,
dependerá muito da força da governadora à época, do meu pai e das lideranças
que estarão com ela. Você olha uma pesquisa, Flávio Dino, 80%, Lobão, 5%, você
só faz olhar e rir.
JC – O senhor acha que o grupo o qual você pertence merece mais
uma chance de governar o Maranhão quando o estado amarga os piores índices nos
indicadores sociais depois de quase cinco séculos de mandonismo? Vou ler para
você. O estado do Maranhão apresenta o menor Produto Interno Bruto (PIB) per
capita no Brasil. O menor PIB per capita era o do Piauí, agora é o do MA. O
Estado apresenta também o menor índice de desenvolvimento social, de acordo com
o Indicador Social de Desenvolvimento dos Municípios (ISDM), da FGV-SP. Possui
a média mais baixa, com ISDM de 3,35, numa escala que varia de 0 a 10. O
Maranhão tem proporcionalmente a maior concentração de pessoas em condições
extremas de pobreza. Da população de 6,5 milhões de habitantes, 1,7 milhão está
abaixo da linha de miséria (ganham até R$ 70 por mês). Isso representa mais que
o triplo da média do país, segundo o IBGE. No quesito Educação, das 10 escolas
com piores índices no Enem, cinco são instituições públicas do Maranhão. Em
último lugar de todo o Brasil, aparece o Centro de Ensino Aquiles Lisboa, no
município de São Domingos do Azeitão, que fica na região sul. Acumulamos ainda
mais um dado negativo no cenário nacional, somos o último colocado na
distribuição de médicos, com 0,68 médicos para cada mil habitantes, ficando
abaixo da média nacional que é de 1,95 médicos para cada mil habitantes. Na
área de saneamento básico, somos um dos estados com pior rede de tratamento de
esgotos do Brasil (relatório IBGE). O recente Censo do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que o Maranhão segue integrando o grupo dos
estados brasileiros que apresentam os indicadores sociais mais sofríveis. A
taxa de mortalidade infantil (número de crianças mortas no primeiro ano de
vida, em mil nascidas vivas) ainda é alta. Para completar o Maranhão tem ao
lado de Alagoas os maiores índices de analfabetismo do país, de 17,3% a 21,8%,
e um dos piores índices de emprego e desemprego segundo o Caged. Na segurança
você pode ver aí todo dia assassinatos, roubos, assaltos durante o dia.
(pergunta não lida até o final)
EL – Você fala isso como um
bom cabo eleitoral do Flávio Dino, o povo não diz isso, o povo disse a você o
contrário, será se você não escutou, a Roseana Sarney ganhou no primeiro turno,
no Flávio Dino ela meteu centena de milhares de votos, ganhou por poucos votos
no primeiro turno. Então o povo já lhe respondeu. O povo deu ao meu pai 2
milhões e 200 mil votos, e foi há dois anos atrás. Nós estamos numa discussão
agora lá em Brasília sobre o Fundo de Participação dos Estados, querem tirar
dinheiro do Maranhão, você descobre que o nosso estado tem a penúltima
colocação na relação número de habitantes/transferências federais. A receita do
habitante do Maranhão é a penúltima pior de todas e ninguém nunca falou nisso.
Como você pode querer ter IDH, ou qualquer índice de saneamento, como é que
você pode fazer isso. Isso não depende do governante do Maranhão, é uma
contingência que o Maranhão foi colocado que não é justa para o Maranhão. Isso
há 20 anos e fica nesse tempo todo o discurso de incompetência administrativa
que não é. Você não pode fazer mágica com pouco dinheiro; agora que a gente
descobriu que o Maranhão é o patinho feio da república do ponto de vista do
dinheiro. E como a gente foi descobrir? Porque a discussão agora é essa, a
discussão do momento agora do Congresso. A gente nunca teve acesso em saber o
dinheiro dos outros estados. Nós não sabíamos quanto o vizinho recebia e por
isso nós não podíamos reclamar, por que o Piauí, o Ceará está crescendo mais do
que a gente? Pelo fato de nós termos menos dinheiro em proporção do que eles. O
nosso grupo político tem mais condições pra administrar melhor do que a
oposição, tirando a paixão de você, respeitável, estamos mais bem preparados
para fazer um super governo do que a oposição. O Flávio Dino não tem
experiência administrativa para fazer um bom governo. Se você tiver experiência
você consegue, você tem que ter experiência, competência e recursos.
JC – E por que agora será diferente?
EL – Nós temos condições de
fazer um melhor governo do que qualquer candidato da oposição, pela
experiência, pela competência, pela força do grupo, pelo prestígio do grupo no
governo federal. Qualquer dos três candidatos, Gastão, Luís Fernando, Lobão,
terá condições infinitamente melhores de fazer um melhor governo do que
qualquer candidato da oposição, seja ele Flávio Dino ou outro.
JC – O senador José Sarney, ex-presidente da República, até outro
dia presidente do Senado, considerando um dos homens mais influentes da
República, que esteve ao lado de todos os presidentes, nunca fez oposição, sem
falar de ministros maranhenses, deputados federais etc., então por qual motivo
vocês não usaram esse prestígio antes para beneficiarem o Maranhão com mais
recursos?
EL – Pergunta de um jovem
inteligente, a sua pergunta está certíssima, como é que com essa força política
todos nós não conseguimos fazer nada em relação a isso? É que nós não tínhamos
conhecimento, estamos sabendo disso agora, com profunda indignação, vale ressaltar.
O governo diz o seu, mas não o do vizinho. Estamos brigando e vamos usar as
armas necessárias para tirar o Maranhão dessa condição absurda, estou
indignando tanto quanto você. Não podemos permitir que o Maranhão continue na
condição miserável de está em penúltimo no repasse de recursos federais.
JC – Nem o senador José Sarney, que sabe de tudo, com toda
influência e prestígio lá em cima não tinha conhecimento e não pôde fazer nada…
EL – Nem ele, o governo
federal não tinha interesse em que soubéssemos que o Maranhão é o penúltimo em
repasses.
JC – Deixando de lado a questão política, o que você acha da
pessoa do Flávio Dino?
EL – Eu acho o Flávio Dino
alguém que eu respeito, pela vontade dele de lutar, por ter aberto mão de uma
carreira no judiciário por uma carreira política, isso me dá admiração pela
atitude de coragem dele, de se vocacionar para a política. Nesse ponto de vista
acho ele um homem de coragem, não tenho nenhuma ressalva a não ser esse
discurso de muita raiva, de ódio. Acho que na forma, e não no conteúdo, ele
deveria mudar. O Flávio ainda não tem experiência administrativa suficiente
para tocar o governo do estado do Maranhão, o Luís Fernando já foi prefeito
duas vezes de uma cidade entre as maiores do Maranhão, com uma administração
reconhecida, brilhante. São José de Ribamar é reconhecida por todos os
prefeitos, o Flávio a única experiência administrativa é a Embratur.
JC – Qual a avaliação que o senhor faz do atual governo? A
Roseana, no seu quarto mandato, disse que faria o melhor governo da vida dela e
até agora isso não aconteceu, bem aquém das expectativas geradas nos
maranhenses.
EL – A governadora tem uma
programação e se ela cumprir o que está planejando será um governo com êxito. O
governo de Roseana é infinitamente melhor do que foi o governo do José Reinaldo
e do Jackson Lago, como todo o carinho pelo Jackson que me tratou com muito
carinho e respeito. O governo da Roseana é mais sólido e profissional do que
estes dois que a antecederam. Destaco como um ponto positivo a saúde, tem feito
uma estrutura de hospitais no interior que ninguém acreditava.
JC – Um tema que tem gerado grande polêmica é quanto às obras da
refinaria Premium I da Petrobras, no município de Bacabeira. O empreendimento,
orçado em US$ 20 bilhões, com capacidade para produzir 300 mil barris/dia de
petróleo, corre o risco de não sair. Recentemente uma matéria do Jornal Pequeno
mostrou que empresários instalados na região estão batendo em retirada. Na
terraplanagem já foram gastos R$ 1,5 bilhão – mais do que o dobro do previsto
inicialmente. O prazo dado pela governadora Roseana Sarney na sua última
campanha eleitoral para conclusão da refinaria era 2016, gerando 120 mil
empregos. E pelo que tudo indica, isso não deve acontecer. Você não acha que
isso não passa de um estelionato eleitoral?
EL – O governo já gastou 1
bilhão e meio de reais, você tem meio milhão de reais de dinheiro de projetos
necessários a fazer a obra. Uma refinaria que vai custar 40 bilhões, a maior
refinaria do Brasil e do mundo, meio milhão certamente é o valor correto em
relação aos projetos. Meu pai teve uma guerra, queriam levar a refinaria para a
Bahia por uma questão política e meu pai firmou o pé porque tecnicamente o
lugar correto era o Maranhão. Bom, deixa-me explicar. Houveram três licitações
até agora: cerca, projetos, terraplanagem e estatização do solo. Terminado o
serviço dessa primeira etapa, que foi de terraplanagem, se não pegar as trochas
delas e irem embora têm que chamar a Polícia pra tirar eles. Terminou tem que
ir embora, se não for tem que ser colocado pra fora. A terraplanagem está
concluída, a Petrobras contratou uma empresa para dar manutenção, choveu,
começou a esbarrerar e não se pode deixar isso acabar, erodir. Acho graça de
algumas pessoas que dizem que isso foi estelionato eleitoral, golpe eleitoral,
achar que a Petrobras, ou o Lula, ou a Dilma, ou o meu pai vai brincar para
ganhar uma eleição. Se essa obra não sair é responsabilidade exclusiva do meu
pai e de ninguém mais, apesar de eu achar de não tem como ele não sair. Agora
se ela sair isso é fruto do apoio da Roseana e com o trabalho do meu pai. A
Roseana fez muito bem o papel dela, arranjou o terreno, as isenções fiscais,
ele representa um milímetro do negócio. Se amanhã tiver um problema, a
Petrobras falir, quebrar, só tem um responsável, meu pai. Estou sendo muito
honesto e transparente. Se algum cidadão brasileiro apontar uma obra pública
que não atrase, eu vou preparar o prêmio da Difusora pra dar de presente. Não
existe obra pública que não atrase. Nós temos aí a duplicação da BR 135 que
estava atrasada há vários anos. A expectativa era que a primeira etapa da
refinaria com produção de 300 mil barris diários fosse entregue até 2016. O
cronograma vai ser seguido, as obras não pararam. Agora vem a montagem industrial
da refinaria. Não vamos envolver política nisso, não vamos torcer contra, não
houve estelionato eleitoral nenhum, a eleição do meu pai não dependeu isso, ele
tem história política, não foi a refinaria. Isso não é brinquedinho eleitoral
de ninguém. Ah, teve empresário que acreditou e agora está indo embora. Isso
foi um mau empresário, ele não pode achar que tinha que tirar um empréstimo e
até 2016 tinha que pagar. Ele não foi inteligente, tinha que saber se preparar.
Mas a refinaria vem, vem! Qual o ano? Espero que em 2018, 2020, e vai ser na
possibilidade maior possível. Meus queridos colegas da oposição ao invés de
reclamarem, cheguem em casa e acenda uma vela pra refinaria, torça, ore, reze.
Por enquanto hoje está na manutenção dos taludes, próxima etapa é a montagem da
refinaria.
JC – Para finalizar, o que o senhor tem a dizer sobre a reportagem
da revista Veja que o envolve em um esquema de sonegação fiscal, operado,
segundo a polícia, pelo empresário Ricardo Magro, dono da refinaria de
Manguinhos, na Zona Norte carioca?
EL – Essa notícia eu já
esperava, não tenha nada a ver com o cara, nunca tratei de negócios, um amigo
meu que é amigo dele. Eu sou candidato e virtual do presidente da Comissão
mista do Orçamento do Congresso, a mais importante. Então viria porrada e é
normal, isso não tem nada a ver aqui com a política local.
Fonte:
Blog do Jonh Cutrim

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