quarta-feira, 6 de maio de 2015

Justiça determina afastamento do prefeito de Humberto de Campos

Em decisão liminar datada dessa terça-feira (05), o juiz Marcelo Santana Farias, titular da Comarca de Humberto de Campos, determinou o afastamento pelo prazo de 180 (cento e oitenta dias do prefeito do município, Raimundo Nonato dos Santos. A decisão atende à Ação Civil Pública por ato de Improbidade Administrativa interposta pelo Ministério Público estadual contra o prefeito, secretários de Educação e de Obras, além do presidente e outros integrantes da Comissão Permanente de Licitação, além da participação de empresários. Segundo a decisão, há suspeitas de fraude processual e de sonegação de informações.
Em sua decisão, o magistrado determinou a proibição da entrada ou permanência do prefeito na sede da Prefeitura, bem como a avocação, por parte do gestor, e sob qualquer pretexto, da presença de funcionários municipais. No documento, Marcelo Santana determina, também, a intimação da Câmara de Vereadores de Humberto de Campos, na pessoa de seu presidente, para que, no prazo de 24h, emposse interinamente o vice-prefeito no cargo de prefeito da cidade. Segundo o juiz, as intimações do prefeito e do presidente da Câmara já foram efetuadas e o prazo para cumprimento da decisão já está transcorrendo.
Na ACP, a Promotoria de Justiça sustenta que o prefeito declarou ao Tribunal de Contas do Estado como construída uma quadra poliesportiva na zona rural do município desde 2013, sendo que a mesma só foi construída em 2015, depois de iniciada a ação, pelo que o autor requer o afastamento do prefeito e a indisponibilidade dos bens do gestor e dos demais requeridos.
Entre outras irregularidades apontadas na ação, há indícios de que, além da obra ser “fantasma”, a empresa que recebeu pelo pagamento da mesma seria uma organização “de fachada”, não existindo no endereço informado na licitação.
Em uma primeira decisão, datada de março do corrente, Marcelo Santana já havia determinado o bloqueio do valor máximo de R$ 143.594,54 (cento e quarenta e três mil, quinhentos e noventa e quatro reais e cinquenta e quatro centavos). Quanto ao pedido de afastamento do gestor, o magistrado concedeu ao mesmo o prazo de cinco dias para se manifestar a respeito.
A defesa do prefeito suscitou, entre outras, que o mesmo não estaria sujeito à Lei de Improbidade Administrativa, bem como alegou a ilegitimidade do Ministério Público na ação.
FRAUDES EM LICITAÇÕES - Nas palavras do juiz Marcelo Santana, entre as situações que justificariam o afastamento do prefeito estão “a concreta interferência na prova, diante da não prestação de informações e documentos aos órgãos de controle, e manutenção no cargo de agente público investigado por um total de 20 ações ajuizadas, nas quais existem indícios de esquema e fraudes em licitações”.
O magistrado ressalta manifestação do prefeito nos autos informando que a quadra poliesportiva do povoado Taboa estaria concluída. Segundo o juiz, em visita ao local no dia 27 de fevereiro do corrente o promotor de Justiça constatou que a quadra não havia sido construída. Mesma constatação foi feita pelo magistrado no dia 16 de março último. Ainda segundo o magistrado, doze dias após a constatação feita por ele no local da obra, o prefeito informou em documento constante do processo que a quadra estava concluída. “Ora, isto mostra que o requerido de fato esforçou-se para concluir a obra rapidamente assim que soube que esta passou a ser objeto de investigação. Tudo isto mostra a clara intenção de fraudar as provas dos autos, ocultando os fatos”, conclui o juiz.
Inquéritos civis - Marcelo Farias destaca ainda o fato do prefeito responder por outros cinco inquéritos civis instaurados para investigar fraudes em licitações e convênios. “Friso ainda que um destes inquéritos, e a conseqüente ação cautelar, ensejou o afastamento do prefeito em 24 de março de 2014”, diz o juiz.
“E ainda pior de tudo, é que o requerido se nega a contribuir com o esclarecimento dos fatos. Em resumo, há indícios suficientes de que se não fosse a atuação do Ministério Público a quadra não seria sequer construída, apesar de declarada na prestação de contas do município perante o Tribunal de Contas do Estado. Há também indícios de que quem recebeu pelo pagamento é um “laranja”, afirma.
E conclui: “diante destas evidências, fica notório o prejuízo da permanência do requerido no cargo que ora ocupa, qual seja, o de prefeito, já que ele destrói provas, não atende requisições de informações, responde a vários inquéritos civis e uma ação judicial sobre fatos semelhantes”.
Marcelo Santana determinou que as instituições bancárias oficiais, com as quais o Município de Humberto de Campos mantém convênios, devem ser intimadas com urgência, comunicando a proibição do prefeito afastado de realizar qualquer transação enquanto durar o afastamento.
REQUERIDOS - Além do prefeito Raimundo Nonato dos Santos, são requeridos na ação movida pelo MPE Maria Raimunda Lopes Espíndola e José do Rosário Costa Frazão, respectivamente secretários de Educação e de Obras; Jadson Serejo Moraes, Ellen Karla Machado Bezerra e Marlon Gomes dos Santos, respectivamente presidente (Jadson) e integrantes da Comissão Permanente de Licitação; e os empresários Kevin José Andrade Santos e José de Jesus Ferreira Santos. Quanto aos dois últimos, na decisão o juiz Marcelo Farias determina que o Juízo seja oficiado solicitando notícias sobre a notificação dos mesmos.


terça-feira, 5 de maio de 2015

Operação prende suspeitos de crime de agiotagem no Maranhão

Prefeitos, ex-prefeitos, empresário e contador também foram detidos. Operação foi realizada na manhã desta terça-feira (5)

Richard Nixon foi preso nesta terça
(5) em São Luís (Foto: Reprodução)
O atual prefeito de Bacuri (MA) Richard Nixon (PMDB), eleito vice-prefeito nas eleições de 2012 e que está substituindo o prefeito Baldoíno (PP) no cargo, e o atual prefeito de Marajá do Sena (MA) Edvan Costa (PMN) foram presos temporariamente na manhã desta terça-feira (5), nas operações "Morta Viva" e "Marajá", que investiga crimes de agiotagem nos dois municípios maranhenses.
Também foram presos o ex-prefeito de Marajá do Sena Perachi Roberto Farias, o contador municipal José Epitácio Muniz (dono de empresas de fachada que operavam no esquema, segundo a polícia) e o empresário Josival Cavalcante da Silva, mais conhecido como "Pacovan".
A polícia também confirmou as conduções coercitivas de Rui Clemêncio Barbosa, que seria "laranja" em negócios da Prefeitura de Zé Doca (MA), e de Francisco Jesus Silva Soares, que é empresário emissor de notas para os municípios de Zé Doca e Marajá do Sena.
"A operação está sendo realizada simultaneamente na capital e no interior do Estado. São duas operações, a 'Morta Viva' e a 'Marajá', com base no perfil dos nossos investigados. Informações sobre apreensões e prisões serão dadas na coletiva de impresa que será realizada às 15h, na Secretaria de Segurança", disse o delegado-geral de Polícia Civil Augusto Barros.
Após as prisões, realizadas por homens da Polícia Civil e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), os suspeitos foram encaminhados para a sede da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic).
OPERAÇÃO IMPERADOR - No dia 31 de março, foi presa a ex-prefeita de Dom Pedro Maria Arlene Barros. Segundo a polícia, mais de R$ 5 milhões foram desviados da prefeitura entre 2009 e 2012. A suspeita é que o esquema teria desviado um total de R$ 100 milhões de 42 prefeituras do Maranhão.
No dia 1º, Eduardo Costa Barros, filho da ex-prefeita mais conhecido como "Eduardo Imperador", se apresentou na sede da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic).
Segundo a polícia, em nome de Eduardo e de pessoas ligadas a ele, existem, pelo menos, dez empresas, a maioria no ramo de construção civil e locação de máquina. As empresas seriam usadas para fraudar licitações e desviar dinheiro da prefeitura de Dom Pedro. Eduardo nega que tenha tantas empresas e que tenha sido beneficiado. Os dois foram liberados seis dias após a prisão.
ENTENDA - As operações "Morta Viva" e "Marajá", assim como a  "Imperador", são desdobramentos da "Operação Detonando", realizada em 2012 após o assassinato do jornalista Décio Sá. Na ação, foram presos os empresários Gláucio Alencar e José Miranda, pai e filho acusados de mandar matar o repórter e de comandar um esquema de agiotagem no Estado.
Na época, a polícia descobriu que o que motivou o assassinato foi uma postagem, no "Blog do Décio", referente à morte do agiota Fábio Brasil, no Piauí. Na operação, foram apreendidos carros de luxo, máquinas pesadas como tratores, documentos e descoberta uma conta com saldo de mais de R$ 5 milhões.
Fonte: G1MA


MEC diz que esgotou a verba para novos contratos do Fies em 2015

MEC usou R$ 2,5 bilhões para financiar 252.442 novos contratos do Fies. Segunda edição do Fies dependerá do orçamento, diz Janine Ribeiro

O ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, afirmou na tarde desta segunda-feira (4) que o MEC já esgotou a verba de 2015 para novos contratos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Ele disse que a abertura de uma segunda edição do programa, no segundo semestre deste ano, não está garantida, e explicou que, no caso dos estudantes que não puderam se inscrever no primeiro semestre, seria "inútil" reabrir as inscrições, que foram encerradas na última quinta (30). Segundo o MEC, o montante destinado para novos contratos do Fies neste ano era de R$ 2,5 bilhões.

No mesmo dia, a Justiça Federal de Mato Grosso determinou que esse prazo fosse prorrogado por tempo indeterminado, para garantir que estudantes que tiveram problemas técnicos com o site pudessem se inscrever. "Entendemos que, não havendo mais recursos, a reabertura do sistema seria meio inútil. De qualquer forma, nós ainda não fomos notificados, mas vamos recorrer", afirmou ele em entrevista coletiva em Brasília.
Apesar da decisão judicial, desde que o sistema foi fechado para novos contratos, após a quinta-feira, ele não voltou a ser reaberto. No site aparece o frase "o prazo para inscrição no Fies encerrou dia 30.4.2015". Para quem já tem contrato, a renovação pode ser feita até 29 de maio.
Sobre a possibilidade de abrir o Fies para novos contratos no segundo semestre, Janine disse que ainda não sabe o que vai ocorrer. "Depende da disponibilidade orçamentária", disse. "Estamos trabalhando nisso, mas não podemos prometer algo que não temos certeza."
Segundo o secretário-executivo do MEC, Luiz Cláudio Costa, a verba do Fies para novos contratos neste ano é de R$ 2,5 bilhões. Ele afirmou que, "mesmo em ano de ajuste fiscal, há compromisso do governo com a educação".
Metade da demanda atendida - No primeiro semestre de 2015, o Fies teve um total de 252.442 novos contratos com o processo concluído pelo site oficial. "Esse número pode mudar porque haverá casos, talvez, de alunos que não cumprem requisitos, quando forem ao banco. Pode haver queda, mas acreditamos que pode ser muito pequena", explicou o ministro.
No total, o sistema recebeu cerca de 500 mil pedidos de novos contratos, uma demanda maior que no ano passado, segundo Luiz Cláudio, quando foram cerca de 480 mil candidatos.
"Na próxima edição, queremos que todos saibam quantas vagas serão. Ele vai saber que o curso X na instituição X tem tantas vagas. Ele vai concorrer de forma transparente pela sua nota do Enem", explicou Costa.
'Erro M321' - A principal reclamação dos estudantes que tentaram um novo contrato foi o "erro M321" no sistema. "Tivemos um personagem chamado erro M321. Houve uma comunidade no Facebook reclamando desse erro. Foi falha nossa colocar esse número. O M321 na maior parte dos casos era: acabou o número de vagas neste curso. Nós mandamos substituir por 'não há mais vagas para este curso'. Houve uma parte de queixas que foi fruto de a nossa comunicação não ser clara ou de pessoas quererem um curso que estava esgotado", reconheceu Janine.
Costa disse, porém, que as instituições de ensino que informaram aos estudantes ainda ter vagas disponíveis no Fies, mesmo após o estudante encontrar esse erro, passaram uma informação incorreta.
As instituições, de acordo com o secretário, divulgam as vagas que estão autorizadas a oferecer pelo governo federal, mas até este semestre o MEC não abre um número determinado anteriormente de vagas por instituição. "A instituição diz que tem vaga, e claro que tem, ela tem um número X de vagas liberadas pra ela pelo nosso sistema de supervisão", explicou. "No Fies nunca houve vaga disponibilizada para a instituição. Está claro no edital do Fies que depende da disponibilidade orçamentária."
Costa lembrou que as instituições podem oferecer outros programas de financiamento, mas que o Fies, como política pública, é determinado pelo governo federal.
Aditamentos - Até o momento, 148.757 aditamentos não foram iniciados pela instituição. "Da nossa parte, deixamos claro que aditaremos todos os financiamentos. Todos casos de renovações nós financiaremos o aluno. O aluno pode completar o processo dele e vamos negociar com instituição", disse Janine. No fim de 2014, o Fies acumulava cerca de 1,9 milhão de contratos vigentes.
Financiamentos pagos - Janine lembrou, porém, que há contratos de financiamento que já estão na fase de retorno (quando termina o prazo do financiamento e o estudante, já formado, começa a pagar a dívida). "Os financiamentos já estão começando a ser pagos. O sistema se auto alimentará. À medida que os alunos que já se formaram forem pagando, esse recurso estará alimentando o pagamento de novos financiamentos. Provavelmente ainda haverá aporte da União de aporte novo para ampliar", explicou ele
A sustentabilidade financeira do programa, porém, ainda deve levar "alguns anos", segundo ele. "O sistema tem a vantagem de que conseguirá se manter [com os recursos que são pagos após a conclusão dos cursos]. Isso não é para amanhã, mas dentro de alguns anos teremos isso", disse Janine.
Qualidade dos cursos - De acordo com o ministro, o critério de qualidade dos cursos aplicado pelo MEC nesta edição do Fies fez com que o número de contratos do Fies de financiamento de cursos avaliados com a nota 5 nos indicadores do governo federal aumentasse de 8% para 20%. "Os critérios atuais tiveram resultado bom", considerou ele. O ministro destacou o crescimento do percentual de alunos financiados em cursos nota 5 em relação a 2014.
"Os cursos nota 5 passou de 8 a 20% do total de cursos. Temos agora cerca de 50 mil financiados pelo Fies que estão em cursos muito bons, nota 5. Pelo critério anterior, teríamos apenas 20 mil", destacou Janine Ribeiro.
Plataforma integrada - O ministro anunciou também que o MEC vai integrar as plataformas dos programas do Ministério da Educação para o acesso ao ensino superior. Atualmente, todos os semestres os estudantes podem participar de três processos seletivos: o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o Programa Universidade para Todos (Prouni), e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). "Hoje em dia são três plataformas. Nós pretendemos integrá-las, o que facilitará a vida do estudante", afirmou ele em entrevista coletiva sobre o Fies.
Janine Ribeiro lembrou que, pelo Sisu, o MEC preencheu 205.514 vagas em universidades públucas. Já pelo Prouni foram 213.113 bolsas de estudo em instituições privadas. No total, os três programas envolvem 671.069 vagas no ensino superior.
Cursos mais procurados - Segundo o MEC, os cinco cursos mais procurados neste semestre no Fies foram engenharia, com 46.981 inscrições, direito, com 42.727 inscrições, enfermaria, com 16.770 inscrições, administração (15.796) e psicologia (12.770).
Fonte: G1


segunda-feira, 4 de maio de 2015

Presidente da Câmara de vereadores de Santa Luzia é executado

Cícero Ferreira da Silva, do (PCdoB), foi morto a tiros na porta de casa.  Crime ocorreu por volta das 16h deste domingo no povoado Faisa, no MA

Vereador estava no segundo mandato como presidente da Câmara. (Foto: Reprodução / TV Mirante)

O presidente da Câmara Municipal de Santa Luzia, Cicero Ferreira da Silva, do (PCdoB), foi assassinado na tarde deste domingo (3), na porta de casa, localizado no povoado Faisa, que faz fronteira com o município de Buriticupu, no Maranhão.
De acordo com o titular da Delegacia Regional de Santa Inês, Walter Costa, o vereador estava em casa quando foi surpreendido por dois homens em uma moto. O homem que estava na garupa da moto sacou a arma e atirou cinco vezes. Os dois suspeitos fugiram logo em seguida.
“Não sabemos de muita coisa ainda. Recebemos a informação do delegado Clarismar que de imediato foi ao povoado que é bem distante da cidade. Ele (vereador) ainda foi socorrido pelas informações preliminares levantadas até agora, mas morreu”, afirmou.
Cícero ainda foi levado para um hospital do município de Buriticupu, localizado a 120 quilômetros da sede de Santa Luzia, mas chegou sem vida ao local. A polícia ainda não confirmou os motivos para o crime, nem se a vítima estava sendo ameaçada.
O vereador estava no segundo mandato como vereador e ocupava o cargo de presidente da Câmara. Equipes da Polícia Civil e Militar foram enviadas a região para iniciar as buscas pelos assassinos e a investigação do crime.
Fonte: G1MA

Paralisação de Refinaria Premium I gera prejuízos em Bacabeira

Parte da área que foi aterrada para construção de uma refinaria da Petrobras no Maranhão












A desistência da Petrobras de construir a maior refinaria do país trouxe não só prejuízo social e financeiro, como deixou um extenso dano ambiental e preocupação aos municípios de Bacabeira (61 km de São Luís) e Rosário (69 km de São Luís), no Maranhão.
Uma área equivalente a 250 campos de futebol foi recebida pela empresa e preparada para receber a refinaria Premium 1. Mas após tirar moradores, destruir a vegetação e a área virar um “deserto”, o local ela será devolvido ao governo do Estado.
Segundo números oficiais, desde 2008 a Petrobras investiu R$ 1,82 bilhão (cerca de R$ 2,3 bilhões valores atualizados). No período, apenas a preparação do terreno foi feita. Foi justamente a terraplanagem que tornaram a área hoje imprestável para a agricultura.
“Para estabilizar o solo, eles colocaram muito calcário na terra, e ele corre para os riachos. Tiraram também e vegetação nativa, hoje só tem capim numa área imensa. Todos os animais que estavam nessa área fugiram ou morreram. Os igarapés estão aterrados, os peixes morreram”, disse o presidente do Comitê de Meio Ambiente de Rosário, Joaquim Francisco de Sousa.
Para construir a refinaria, a Petrobras precisou retirar famílias que viviam na região, e a terraplanagem destruiu grande parte da vegetação. O aterramento também causou danos aos riachos da região. É em Rosário que os danos ambientais mais graves podem ser vistos.
No município, cerca de 100 famílias foram retiradas para as obras. Quem era agricultor na região foi morar em duas agrovilas, que –segundo os moradores– não possuem estrutura adequada.
“Tiraram três povoados instalados em uma área boa, cheia de igarapés, córregos. Agora, a região sofre não somente com a erosão, como a área virou um deserto. A tendencia é virar área de desertificação e ficar só com um capim rasteiro”, disse Sousa.
Remanejados para área ruim - O economista Francisco Sérgio Barreto, 49, foi um dos que vivia na área e precisou sair para dar espaço às obras da refinaria. Hoje, ele é coordenador de um projeto de revitalização da terra e relata os prejuízos causados com a obra.
“A área dada aos moradores é ruim, tem lugar onde não tem água. Onde vivíamos havia água, o terreno era maravilhoso. Nos tiraram, e depois dessas obras, não há mais nada o que ser feito lá; a área não serve mais convívio humano. A não ser que seja um ‘favelão’”, disse.
Segundo Barreto, a Petrobras concedeu uma área com 30 lotes e 30 casas e distribuiu a quem quis continuar vivendo na região –outros moradores prefeririam se mudar. Até hoje, ele diz que não receberam a posse da nova terra.
“Lá existia um conjunto de cinco riachos, que foram transformados em canal para passagem de esgoto. Hoje, não há mais peixe”, disse.
Barreto afirmou que a Petrobras teria sugerido preparar a terra novamente e tentar a plantação de matéria-prima para biodiesel.
“Tem lógica. Seria uma forma de reempregar os agricultores que perderam a terra, usando o conhecimento centenário deles, seja com mamona, cana-de-açúcar”, afirmou.
Danos sociais e econômicos - Em Bacabeira, os agricultores também têm queixas, só que contra o governo do Estado.
Uma bolsa de R$ 700 que era paga pelo governo pela mudança de local estaria suspensa há três meses. Além disso, a moradora Maria José Souza relatou que obras de compensação que foram prometidas não foram cumpridas.
“O Estado assumiu o compromisso com a gente, mas a única coisa que cumpriu foi fazer as casas e a bolsa, que a gente passou a receber –e que agora está atrasada. Mas a escola, o mini-posto de saúde e casa de forno para fazer farinha não funcionam”, disse.
Com a desistência da Petrobras da obra, o filho caçula desistiu da vida em Bacabeira e foi morar em São Paulo –em dezembro foi trabalhar como montador de torres.
“Ele trabalhava na obra da refinaria, mas agora, qual a perspectiva? Quem está conseguindo oportunidade está saindo. Muita gente vendeu as casas aqui na zona rural para construir imóveis na cidade e agora não têm a quem alugar, ficou no prejuízo”, relatou.
Câmara investiga - Para investigar os danos causados pelas obras, a Câmara criou uma comissão externa, que realizou uma audiência pública em Bacabeira no último dia 17.
Segundo a presidente da comissão, a deputada Eliziane Gama (PPS), as obras deixaram uma “herança perversa” aos moradores, e a solução dos problemas deixados serão cobrados da Petrobras.
“A ideia é devolver o terreno, mas queremos que algum projeto seja feito, senão vai ter ocupação desordenada. É preciso planejamento, mas não se tem nenhum projeto pra área”, afirmou.
O UOL solicitou, durante uma semana, respostas da Petrobras sobre os problemas e pediu explicações sobre o planejamento da área, mas não obteve retorno.
O governo do Maranhão também não se pronunciou sobre as contrapartidas que não teriam do cumpridas aos remanejados de Bacabeira.
Fonte: Uol


Gestores inadimplentes começam a ser inscritos na dívida ativa


O Ministério Público de Contas do Estado (MPCE/MA) encaminhou à secretaria de Estado da Fazenda as primeiras remessas de acórdãos para a inscrição de gestores inadimplentes na dívida ativa do Estado. As primeiras listas incluem 209 nomes de ordenadores de despesas de prefeituras, câmaras municipais e de pastas do governo estadual que tiveram contas desaprovadas, com imputação de multas, e não pagaram seus respectivos débitos. O total geral das dívidas está na ordem de R$ 2.610.561,40.
O trabalho por ora realizado é fruto de entendimento entre o MPC e órgãos do executivo estadual, ocorrido em reunião realizada no início do ano no Tribunal de Contas do Estado. De acordo com o procurador-chefe do Ministério Público de Contas, Douglas Paulo da Silva, foi firmado um convênio com a secretaria de Estado da Fazenda e a procuradoria-geral do Estado, com vistas à inclusão dos valores devidos na dívida ativa e posterior execução fiscal dos gestores inadimplentes que não se regularizarem. O Maranhão é o sexto estado brasileiro a implementar tal medida.
“Compete ao Ministério Público de Contas dar eficácia e os encaminhamentos necessários para a recuperação do patrimônio público dilacerado, pois é dessa forma que o Estado recupera os recursos mal aplicados. Esse trabalho consiste no levantamento de todos os acórdãos transitados em julgado, com imputação de débito ou condenação a pagamento de multas, cujos pagamentos voluntários não foram efetuados dentro do prazo estabelecido”, explica Douglas Silva.
Conforme o chefe do MPC, os gestores com nomes incluídos na dívida ativa receberão uma intimação com prazo de 60 dias para o pagamento dos débitos. “Um dos principais efeitos dessa inscrição é que o gestor vai automaticamente para o Serasa, enquanto pessoa física, sendo impedido de realizar convênios e obter financiamentos, entre outras restrições. Quem não se regularizar após esse último prazo ficará então sujeito à execução fiscal, resultando em penhora de bens e leilão, para a recuperação dos valores devidos”, acrescenta.
Ademais, o chefe do MPC informa que os gestores, cujos nomes não estiverem nas primeiras levas de inscritos na dívida ativa, ainda têm a chance de se antecipar e se dirigir ao TCE para pagar suas multas, “uma vez que o objetivo do tribunal é recuperar os valores a serem ressarcidos”.
Fonte: John Cutrim

Governo forma professores para corrigir distorções do fluxo idade/série

O Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), iniciou nesta segunda (4), no Colégio Marcelino Champagnat, a formação de 325 professores do Ensino Fundamental das redes estadual e municipais que atuarão com ações de correção de fluxo escolar em 68 municípios maranhenses, entre eles, as 30 cidades maranhenses com baixo IDH. A ação faz parte do Programa Escola Digna – Macropolítica da Educação do governo Flávio Dino – dentro de um dos eixos estruturantes que é o regime de colaboração com os municípios.      
“Precisamos substituir as escolas de taipa por escolas bonitas de alvenaria. Mas é preciso, também, corrigir a distorção, que é elevada, e garantir uma escola de qualidade e justa para as nossas crianças. Esta é a determinação do governador Flavio Dino. Este é o nosso compromisso, é o nosso empenho”, destacou a secretária de Estado de Educação, Áurea Prazeres. 
O curso de formação, que será realizado até sexta-feira (9), tem o objetivo de qualificar os professores para alfabetizar alunos que ainda não estão inseridos no mundo das letras e números e, assim, corrigir o fluxo de estudantes com distorções idade\série não alfabetizados no 3º ano do Ensino Fundamental, para promover a melhoria da qualidade da educação, elevando os indicadores educacionais do Estado. 
Hoje, no Maranhão, 25 % dos estudantes, o que corresponde a 6.207 alunos, apresentam distorção idade/série de até dois anos. “Por exemplo, temos crianças de oito anos de idade, que estão cursando o 1º ano do ensino fundamental, quando deveriam estar no 3º. E pior, não sabem ler, nem escrever. O que estamos fazendo neste primeiro momento é trabalhando para garantir a alfabetização desses alunos para, em seguida, erradicar essa distorção”, afirmou a superintendente de Educação Básica, Elioenai Brasil.
Formação - A Formação dos Professores será ministrada por uma equipe do Grupo de Estudos Sobre Educação, Metodologia de Pesquisa e Ação (Geempa), e coordenada pela educadora Esther Pillar Grossi, fundadora do Grupo e referência na busca de soluções para os grandes problemas da escola pública brasileira. O Geempa já trabalhou com mais de 250 municípios brasileiros, levando uma metodologia diferenciada com base no método pós-construtivista. 
“É preciso desenvolver bases conceituais sólidas na formação docente, que leve em conta a dimensão social nos fenômenos da aprendizagem. A principal causa do analfabetismo e, portanto, da distorção do fluxo escolar idade/série, é a inadequação da metodologia de alfabetização. Os métodos convencionais da alfabetização não levam em conta que esses alunos, geralmente vêm de um ambiente de pais analfabetos, que não têm estímulo à leitura. É preciso entender que aprender é raciocinar, selecionar informações para estabelecer juízos e raciocínios”, afirma Esther Grossi.
Neste primeiro momento a formação vai atender a 325 professores das redes estadual e municipais do Ensino Fundamental, 68 coordenadores municipais e 19 técnicos das Unidades Regionais de Educação.  No final da formação os professores retornam às escolas para desenvolver os novos conhecimentos metodológicos em sala de aula. As atividades do programa serão realizadas em turno regular de ensino. 
Em seu discurso, o secretário de Estado de Direitos Humanos e Participação Popular, Francisco Gonçalves, destacou a importância das ações do governo na melhoria dos índices educacionais, na valorização da escola, no respeito às crianças e consequentemente na melhoria do IDH. “Um Estado que não respeita suas crianças, não pode ser considerado um Estado Democrático. O ‘Mais IDH’ parte desse princípio. A situação que o governo Flávio Dino encontrou no Maranhão não é uma questão de dinheiro, é uma questão política. Estamos convocando todos vocês educadores no sentido de mudarmos a Educação do Maranhão, e consequentemente, mudarmos os indicadores sociais do nosso estado,” ressaltou. 
“A inteligência de colocar o ‘Escola Digna’ como um dos troncos do ‘Mais IDH’ e a percepção em tirar os cidadãos da invisibilidade documental e as crianças da invisibilidade educacional é uma iniciativa determinante para elevar os indicadores sociais do Maranhão”, disse o secretário de Educação de São Luís, Geraldo Castro. 
“É com nossos educadores que faremos a mudança da história da Educação do Maranhão. Há uma grande articulação entre os governos estadual e municipais, mas, precisamos dos nossos educadores. A mudança acontece a partir da sala de aula, com a capacidade que vocês têm de mobilização e o caminho é pela via da alfabetização das nossas crianças, do nosso povo”, afirmou a secretária de Estado da Educação Áurea Prazeres. 
Expectativa - Para os mais de 300 professores que participam da formação e que trabalham nas séries iniciais com a missão de alfabetizar as crianças maranhenses, a expectativa é de mudança na sala de aula e na qualidade da educação nas escolas. 
“Eu vejo com grande alegria que há uma mobilização para mudar a realidade das nossas crianças, mudar pra melhor a Educação do nosso estado. Aqui nós educadores estamos buscando mais informação para trabalhar de forma adequada com os nossos alunos”, enfatizou a professora do município de Parnarama, Vaneide Alvarenga Lúcio.
A solenidade contou com a presença do secretário de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular, Francisco Gonçalves; do secretário Municipal de Educação e presidente da União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime/MA), Geraldo Castro; do presidente do Conselho Municipal de Educação de São Luís, Roberto Mauro Gurgel, além da equipe técnica da Seduc.