sábado, 8 de novembro de 2014

Derrotados, governadores em fim de mandato realizam demissões em massa

Aproximadamente 10 mil servidores foram exonerados nas últimas semanas no Distrito Federal, Tocantins, Maranhão e Roraima; meta é Lei de Responsabilidade Fiscal

No Maranhão, houve 187 exonerações nas últimas duas semanas somente na Casa Civil
Aproximadamente 10 mil servidores comissionados foram demitidos nas últimas semanas, nos Estados em que os governadores não foram reeleitos ou não tiveram seus aliados escolhidos como seus sucessores na eleição deste ano. A faxina ocorre em Estados como Distrito Federal, Tocantins, Maranhão, Espírito Santo e Roraima.
Os governadores alegam que não se trata de demissões políticas, mas de um processo de reestruturação econômica. As equipes de transição, do outro lado, afirmam que as demissões têm o objetivo de adequar os Estados à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e reduzir os déficits fiscais de cada gestão neste final de mandato e, assim, livrar os gestores de eventuais punições ou investigações por atos de improbidade administrativa. Assim, os estados seriam entregues, ainda que superficialmente, “no azul” para os sucessores.
Essas medidas, conforme as equipes de transição, também têm objetivo político. Elas argumentam que, ao efetuar cortes drásticos na reta final de gestão, os atuais gestores não dariam aos sucessores o “bônus político” do corte de gastos ou de reformas administrativas nos Estados. Em alguns casos, como no Maranhão, as equipes de transição acusam governos de demitirem funcionários fantasmas de forma antecipada, para que eles não sejam descobertos durante a próxima gestão.
A situação é mais intensa no Tocantins, onde o governador Sandoval Cardoso (PSD), que não se reelegeu, demitiu 6.550 servidores de uma vez só, aproximadamente 12% do funcionalismo público tocantinense. Foram extintas Funções de Confiança (FCA), Função de Confiança de Segurança Pública (FCSP), Função de Confiança do Magistério (FCM), Função de Confiança de Diretor Técnico de Hospital, entre outras. As exonerações, publicadas no Diário Oficial do Estado de quarta-feira última, passaram a valer a partir da sexta-feira, 31 de outubro.
A equipe de transição do governador eleito Marcelo Miranda (PMDB) tem manifestado preocupação com as contas públicas tocantinenses. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do Estado apontava que, em 2013, Tocantins teve um déficit orçamentário de 3,7% do PIB estadual, algo na casa dos R$ 550 milhões. A preocupação da equipe de transição é que, em 2014, o governo ainda mantenha um desempenho deficitário semelhante e as demissões seriam uma forma de mascarar esse déficit.
No Distrito Federal, as exonerações atingiram 2 mil servidores. Foram afetadas áreas como a Secretaria de Governo, Educação, Saúde, Desenvolvimento Social, Segurança Pública, Polícias Civil e Militar. As exonerações em massa começaram a partir do dia 7 de outubro, dois dias depois do atual governador Agnelo Queiroz (PT) ser eliminado da disputa eleitoral deste ano. Depois de ter ficado fora do segundo turno das eleições, Queiroz já extinguiu seis secretarias de governo.
Oficialmente, as demissões no governo do Distrito Federal (GDF) têm o objetivo de gerar superávit para a próxima gestão. O governador eleito Rodrigo Rollemberg (PSB) tem classificado como “preocupante” a situação financeira do GDF. Para o socialista, a gestão Agnelo deixará uma dívida de aproximadamente R$ 2 bilhões. O petista nega e fala que, com as demissões, entregará o Estado com suas contas no azul.
MARANHÃO - No Maranhão, onde a governadora do Estado Roseana Sarney (PMDB) teve seu aliado político Edison Lobão Filho (PMDB) derrotado pelo ex-presidente da Empresa Brasileira de Turismo (Embratur), Flávio Dino, houve 187 exonerações nas últimas duas semanas somente na Casa Civil. Entre as pessoas que foram demitidas, estavam um DJ que mora em Vitória (Espírito Santo); a cunhada de Ricardo Murad, secretário de Saúde do Maranhão, que mora no Rio de Janeiro, entre outros.
A situação chamou a atenção da comissão de transição do governo do Estado, encabeçada pelo líder da oposição, Marcelo Tavares (PSB). “Nós já sabíamos que havia alguns ‘penduricalhos’ no governo, mas a quantidade surpreendeu”, disse Rodrigo Lago, futuro secretário de Transparência e Controle da administração Flávio Dino.
Em Roraima, cerca de 1,2 mil servidores da Assembleia Legislativa foram exonerados no dia 8 de outubro, três dias após as eleições. O caso chamou a atenção do Ministério Público Eleitoral (MPE) que suspeita de casos de abuso de poder político de deputados estaduais. O MPE suspeita que alguns servidores foram contratados para trabalhar apenas nas campanhas mas sendo pagos com dinheiro público e, com o término das eleições, eles foram demitidos dos cargos de comissão.
OUTRO LADO - Todos os governos estaduais citados alegaram que as demissões não têm caráter político e negam que os funcionários demitidos fossem apadrinhados. No geral, os governadores afirmam que os cortes, nesta fase de transição de mandato, têm a função de reestruturar a máquina pública para os governadores que assumirão os Estados.
Em nota oficial, o governo do Estado do Tocantins informou que “as exonerações têm por objetivo permitir que todos os secretários e presidentes de autarquias possam definir o número suficiente de servidores comissionados que deverão exercer suas funções neste término de governo, de modo a impedir prejuízos e a solução de continuidade dos serviços públicos”.
No GDF, os cortes também são justificados pela tentativa de se fazer um “grande superávit primário”, nas palavras do governador Agnelo Queiroz durante coletiva realizada na última sexta-feira. O GDF negou que o governador tenha inchado a máquina pública nos últimos anos e alegou que essa reestruturação no funcionalismo tem a intenção de facilitar o processo de transição com o próximo governo. O GDF também negou que existam entre os comissionados apadrinhados políticos do governador.
No caso do Maranhão, o governo também negou irregularidades. Em nota, a Casa Civil disse que “a exoneração de servidores em cargos comissionados está de acordo com as medidas previstas para serem executadas pelo governo até o final do ano”. No entanto, o governo do Estado não respondeu a questionamentos sobre a acusação de que haveria funcionários fantasmas, nem se os exonerados eram apadrinhados da governadora.
Já a direção da Assembleia Legislativa de Roraima não foi encontrada para comentar o assunto.
Fonte: Portal IG

Entre candidatos ao Senado, donos de maiores dívidas saem da eleição sem mandato

A disputa ao Senado em todo o Brasil terminou com um prejuízo de R$ 10,8 milhões, conforme dados tabulados com base na prestação final de contas dos candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na quinta-feira, o iG mostrou que os candidatos aos governos estaduais que não conseguiram chegar ao segundo turno e os governadores eleitos em primeiro turno terminaram a disputa com um déficit de R$ 96 milhões.
Das 177 pessoas que participaram da disputa ao Senado, 20 gastaram mais do que arrecadaram. Outros 53 declararam que custearam exatamente o mesmo montante que levantaram em campanha e 74 gastaram menos do que arredaram. Estes candidatos que terminaram a campanha com fluxo de caixa no azul terão que destinar os recursos ao fundo partidário. Outros 30 candidatos ainda não prestaram contas com a Justiça Eleitoral e estão passíveis de punições, como o pagamento de multa ou até o indeferimento de um novo registro de candidatura.
De todos os 177 candidatos ao Senado, os que tiveram os maiores prejuízos o deputado federal Rogério Carvalho (PT), que entrou na disputa ao Senado por Sergipe; o deputado estadual cearense Mauro Benevides Filho (PROS); o ex-prefeito do Rio de Janeiro César Maia (PMDB); o ex-prefeito de Vitória (ES) João Coser (PT) e Paulo Bornhausen (PSB), ex-secretário estadual de Desenvolvimento Econômico Sustentável de Santa Catarina. Nenhum dos cinco maiores devedores se elegeu.
Ao final da disputa, Rogério Carvalho acumulou dívidas de R$ 2,5 milhões. Mauro Benevides, terminou a disputa com dívidas de R$ 2,4 milhões. Maia acumulou um déficit de R$ 1,6 milhões; Coser de R$ 1,3 milhões e Bornhausen de R$ 659 mil.
Dos candidatos que arcaram com prejuízos na campanha deste ano, houve situações como a da suplente de deputada federal Marina Sant'Anna, que teve um prejuízo de exatos três centavos na campanha. Ela arrecadou R$ 1.713.890,81 e gastou R$ 1.713.890,84.
CAROS X ECONÔMICOS - De todas as campanhas, a mais cara foi a de Antônio Anastasia (PSDB), na disputa por uma vaga ao Senado por Minas Gerais. O tucano gastou R$ 18,3 milhões. Mas ele arrecadou cerca de R$ 30 mil a menos do que gastou na disputa. A campanha do ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), custou R$ 15,2 milhões e foi a segunda mais cara. No entanto, Kassab afirmou à Justiça Eleitoral que gastou exatamente aquilo que ele levantou.
O ex-ministro José Serra (PSDB) teve a terceira campanha ao Senado mais cara do país: R$ 10,7 milhões. No entanto, o tucano não teve prejuízo. Ele conseguiu arrecadar cerca de R$ 500 a mais do que ele gastou na campanha.
Do outro lado, 35 candidatos afirmaram que gastaram menos de R$ 10 mil na disputa ao Senado e seis deles declararam à Justiça Eleitoral que fizeram uma campanha com menos de R$ 1 mil. O sindicalista e candidato ao Senado pelo Maranhão, Marcos Silva, teve a campanha ao Senado mais barata do país.
Ele disse que gastou, somente, R$ 130. Esses valores são referentes à contratação de um auxiliar de campanha. Silva, entretanto, arrecadou R$ 2.130, tendo um lucro de R$ 2 mil.

Élber Sampaio (Psol) teve a segunda campanha mais econômica do país. Na disputa ao Senado por Goiás, ele gastou somente R$ 340. Esse valor é referente a gastos com combustíveis. 
Fonte: IG

sábado, 1 de novembro de 2014

Maioria dos ministros dos TSE critica PSDB e deve negar pedido de auditoria

O pedido do PSDB apresentado na quinta-feira para que seja realizada uma auditoria na votação de 2.º turno da eleição presidencial não encontrou eco no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Quatro dos sete ministros da corte já dizem nos bastidores, em observações recheadas de críticas ao partido de Aécio Neves, que a tendência é de que o pedido seja rejeitado já na sessão da próxima terça-feira.
“Não há nada que comprometa” a lisura do processo eleitoral, avaliou na sexta-feira o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro João Otávio de Noronha.
Na ação levada à Justiça Eleitoral, o PSDB cobra a abertura de um processo para verificar os sistemas de votação e de totalização dos votos, com a criação de uma comissão de especialistas indicados pelos partidos políticos para analisar os dados solicitados ao TSE. 
Parte dos documentos solicitados pelo PSDB, como os boletins de urna, é de acesso público na internet. Outros podem ser requisitados pelos partidos, com base nas resoluções da corte.
Se o partido quiser avançar no tema e realizar uma auditoria, deverá fazer isso com seus próprios recursos com base nos dados entregues pelo tribunal, apontam os ministros.
A avaliação inicial na corte é de indignação com o pedido do PSDB, cujo candidato, Aécio Neves, foi derrotado por uma diferença de 3,4 milhões de votos pela presidente Dilma Rousseff em votação no domingo passado.
Noronha chegou a classificar como “prejudicial” à democracia o pedido. Outros ministros usam a expressão “desserviço” e “antidemocrático” para se referir ao pedido, mas destacam que o plenário vai discutir o tema inclusive para “esclarecer” o processo eleitoral à sociedade.
Pela leitura da peça elaborada pelo PSDB e notícias divulgadas, ministros avaliam que não há “nenhum fato concreto” que motive uma autoria. O PSDB aponta, por exemplo, que denúncias se multiplicaram na internet após o encerramento do processo de votação, inclusive com elaboração de uma petição online pedindo a conferência do resultado. Mas os ministros consideram que postagens esparsas nas redes sociais não são suficientes para colocar em xeque o sistema eleitoral.
A decisão da Justiça Eleitoral de só divulgar o resultado parcial da apuração quando a votação já estava praticamente definida também é levantada pelos tucanos. Os dados só foram divulgados às 20 horas, pois a Justiça esperou o encerramento da votação no Acre, que está três horas atrás do horário de Brasília em razão do fuso horário em vigor.
O TSE destaca ainda que os partidos políticos, inclusive o PSDB, participam das cerimônias de verificação do software das urnas eletrônicas e tiveram as equipes jurídicas participando de todo o processo eleitoral.
Torquato Jardim, ex-ministro do TSE, analisou a peça do PSDB. A avaliação do advogado especialista em direito eleitoral é de que ela “não aponta qualquer fato objetivo”. “Não há prova ou fato objetivo que coloque o sistema em dúvida”, disse.
Já o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal e ex-ministro do TSE, defende o afastamento das dúvidas “para que continuemos admirando o sucesso das urnas”. 
Fonte: Estadão


TSE ainda precisa julgar recursos contra três governadores eleitos

Ao todo, 623 políticos aguardam decisões que podem mudar quadro eleitoral

Waldez Góes (PDT-AP) é um dos que está com situação indefinida
Mesmo após as eleições, 623 políticos continuam com a situação de suas candidaturas indefinida. A solução desses casos poderá promover uma dança das cadeiras entre os eleitos. Desses, pelos menos 28 se elegeram, mas enfrentam recursos na Justiça Eleitoral. Entre eles há três governadores: Raimundo Colombo (PSD-SC), Marcelo Miranda (PMDB-TO) e Waldez Góes (PDT-AP).
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dos 1.793 recursos enviados à Corte, 53 sequer foram apreciados até quarta-feira; os demais tiveram sua situação analisada ao menos uma vez. O TSE espera julgar todos até a diplomação, em 19 de dezembro.

Colombo foi impugnado por um adversário que questionou a candidatura de todos os nomes do PDT, da coligação dele, sob alegação de que “a convenção partidária foi realizada por órgão de direção que não possui legitimidade para deliberar sobre a escolha de candidatos”, o que incluiu o governador.
Góes também teve a candidatura impugnada por um oponente, o suplente de deputado estadual Raimundo Sousa (PSB). Segnudo Sousa, Waldez não apresentou certidão de bens condizente com o que possui.
Miranda teve a candidatura questionada pelo Ministério Público Eleitoral. Segundo o órgão, ele teve contas rejeitadas por irregularidades insanáveis pela Assembleia Legislativa de Tocantins, o que caracterizaria ato doloso de improbidade administrativa. Assim, deveria ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa. Ainda segundo o MPE, ele teria foi condenado pelo TSE por abuso de poder nas eleições de 2006.

TRÊS ACEITARAM CANDIDATURAS - Os Tribunais Regionais Eleitorais não aceitaram as impugnações desses candidatos. Porém, como ainda há recursos das partes envolvidas, o registro segue no TSE à espera de uma decisão.
Entre os estados com mais políticos em situação indefinida destacam-se o Rio, em primeiro com 212 casos, e São Paulo, com 126. Os candidatos com destino incerto se dividem entre os que têm status “indeferido com recurso” (494), os “deferidos com recurso” (127), e os “substitutos pendentes de julgamento” (2).
No caso dos primeiros, que sequer conseguiram o registro, caso tenham o nome aprovado pelo TSE e votos suficientes para se eleger, poderão ocupar o cargo. Já os deferidos com recurso, se forem rejeitados pela Justiça Eleitoral, poderão perder o direito ao cargo e ser substituídos, caso dos três governadores.
Fonte: O Globo

Eleições 2014 revelam novo cabo eleitoral: o WhatsApp

Aplicativo de mensagens privadas ajudou a espalhar conversas de eleitores e peças de propaganda de candidatos
Uso do WhatsApp no Brasil foi intenso durante debates de candidatos à presidência 
As eleições 2014 estabeleceram algumas marcas. Só na corrida presidencial, entraram para a história os ataques verbais dos debates (entre candidatos e entre eleitores), a diminuta diferença de votos entre Dilma Rousseff e Aécio Neves e o número de reviravoltas nas pesquisas de intenção de voto até o desenlace final no dia 26. Nas redes sociais, o Brasil também estabeleceu um recorde. No Facebook, os brasileiros promoveram o maior número de interações já visto no planeta em uma disputa eleitoral: 674 milhões (inluindo postagens, compartilhamentos, likes e comentários) entre 6 de julho e 26 de outubro. No Twitter, no mesmo período, foram 40 milhões de mensagens. Likes e tuítes, contudo, não faziam sua estreia nesta eleição. A novidade foi o uso de uma ferramenta de mensagens privadas por onde se espalharam tanto conversas de eleitores quanto peças de propaganda de candidatos: o WhatsApp.

Ao contrário de Facebook e Twitter, que divulgam dados sobre a atividade de seus usuários, o WhatsApp guarda segredo a respeito. Portanto, não é possível quantificar o uso do app durante o período eleitoral ou mesmo fora dele. Sabe-se apenas que, em abril, 45 milhões de brasileiros já usuavam o programa (em agosto, o número global era de 600 milhões). Depoimentos de usuários/eleitores e das campanhas, contudo, não deixam dúvidas sobre a força desse novo cabo eleitoral. No Brasil e no mundo. Laura Olin, estrategista digital da campanha de Barack Obama em 2012, aposta no uso do app nas eleições de 2016, quando os americanos vão escolher o sucessor do presidente americano. "Os políticos ainda usam pouco o WhatsApp. Mas ele tem uma grande base de usuários e, por isso, certamente será um fator a ser explorado nas próximas eleições", diz Laura.
Por aqui, eleitores e campanhas usaram o programa de diferentas formas. No app instalado no celular do professor de história Gleiston Costa Sales, de 34 anos, de São Paulo, as conversas sobre política fluíram dentro de dois grupos formados muito antes da campanha eleitoral. Um reunia os amigos do bairro e outro, as pessoas que ele conheceu em viagens. Sales recorria aos grupos durante os debates presidenciáveis da TV: queria confirmar dados citados e comparar propostas. A resposta nem sempre foi boa. "Muitas vezes, os demais participantes do grupo não levavam as discussões a sério e usavam o WhatsApp só para compartilhar memes ou para ofender quem declarava o voto", diz. Após segundo turno, quando os ataques se intensificaram, ele decidiu abandonar um dos grupos. "Conflitos são normais entre amigos. Ainda vamos nos encontrar para resolver as pendências e tudo vai voltar ao normal."
Do lado das campanhas, os tucanos concentram esforços na divulgação de mensagens em grupos de usuários, que no WhatsApp podem reunir até sessenta pessoas. Os petistas preferiram divulgar números de celulares que os simpatizantes podiam adicionar ao app instalado em seus smartphones, simulando assim uma conexão direta entre dois usuários.
Os tucanos perceberam o potencial da ferramenta pouco antes da realização do primeiro turno, no dia 5 de outubro. "Divulgamos alguns conteúdos em grupos de militantes antes do primeiro debate da TV Globo: eles, então, os repassaram a seus contatos. Foi um estouro", diz Zuza Nassif, coordenador de estratégia digital do PSDB. A partir de então, a equipe intensificou o envio de imagens, vídeos e propostas de Aécio para 18 grupos de usuários — que tinham, novamente, a missão de espalhar os conteúdos. Ao fim da jornada, o time criou 33 conteúdos exclusivos para disseminação no app. Nas redes sociais, o número foi bem superior: 50 por dia.
Entre as ações bem-sucedidas via WhatsApp está a divulgação de um depoimento de Aécio Neves gravado por militantes do PSDB de Minas chamado Turma do Chapéu. O vídeo começava com uma saudação descontraída do tucano: "Oi, pessoal desse grupo de WhatsApp", dizia o candidato. O tom mais pessoal estimulou o compartilhamento. "O vídeo viralizou de forma incrível. Muitas pessoas me mostraram as imagens na rua, dizendo que era o candidato em que iriam votar", diz Nassif.
Do lado do PT, a estratégia ficou a cargo da equipe do Muda Mais, portal que apoiou de forma intensa a campanha dilmista. Foram divulgados cinco números de telefone, uma para cada macrorregião do país, a serem adicionados à lista de contatos dos usuários do aplicativo. A reportagem procurou o responsável pela estratégia, Laercio Portela, mas ele não respondeu os contatos telefônicos.
Morador de Ceres, cidade a 170 quilômetros de Goiânia, o professor de geografia Diôgo Rodrigues da Silva, de 23 anos, adicionou o número de WhatsApp a seus contatos. Ele conta que passou a receber vídeos sobre as propostas de Dilma e imagens e textos que rebatiam acusações e também atacavam Aécio. O conteúdo compartilhado incluía ainda vídeos de celebridades que apoiavam a candidata do PT. "Eu ainda não sabia em quem iria votar quando comecei a receber as informações via WhatsApp. Mas logo percebi que o mecanismo funcionava bem: eu recebia as informações de campanha em meu celular antes desses conteúdos serem publicados no Twitter e Facebook", diz Silva. O professor fez, então, o que os estrategistas esperavam dele: compartilhou as informações com amigos reunidos em quatro grupos de WhatsApp. Assim, outras outras 68 pessoas, entre familiares e colegas de faculdade, receberam as mensagens de Dilma.
Os marketeiros agora têm uma lição de casa a fazer: medir e analisar o potencial da ferramenta recém-integrada à política. Para Laura Olin, a estrategista de Obama, o desafio é entender as diferenças entre o comportamento dos eleitores no WhatsApp e no Facebook e no Twitter. Afinal, estes são serviços em que, na maior parte do tempo, a comunicação entre usuários se dá de forma pública. O WhatsApp é o inverso disso. Em tese, os primeiros favorecem a propaganda política, mas essas eleições parecem mostrar que à boca miúda também se faz campanha. "O WhatsApp representa um casamento entre o e-mail e as redes sociais. Vai ser interessante acompanhar como o serviço pode beneficiar o debate político nos próximos anos."
Fonte: Veja

Após derrota, PSDB ganha rótulo "antidemocrático"

É de indignação e revolta o clima entre os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, com a petição apresentada pelo PSDB para auditoria nas urnas eletrônicas, após a vitória da presidente Dilma Rousseff no último domingo; adejtivos variam entre "desrespeitoso" e "antidemocrático"; documento, assinado pelo deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) não apresenta evidências e deve ser rejeitado por ampla maioria; ministro João Otávio Noronha lembrou à direção tucana que o Brasil "não é a Bolívia ou a Venezuela"
O PSDB perdeu a chance de encerrar, com elegância, sua participação na campanha eleitoral de 2014. Depois de um discurso correto do candidato derrotado Aécio Neves, no último domingo, em que pregou paz e desejou sorte à presidente reeleita Dilma Rousseff, a petição apresentada pelo deputado Carlos Sampaio, pela auditoria nas urnas eletrônicas, colocou tudo a perder. De tal forma que, hoje, é de revolta com os tucanos o ambiente no Tribunal Superior Eleitoral.
Reportagem da jornalista Beatriz Bulla, do Estado de S. Paulo, informa que o pedido tucano deve ser rejeitado por ampla maioria. Ministros da corte consideraram o pedido "antidemocrático" e também um "desserviço" ao País. O ministro João Otávio Noronha foi quem bateu mais duro, afirmando que "falta seriedade" ao pedido tucano. Outra referência em questões eleitorais, o ex-ministro Torquato Jardim, afirma que o PSDB "não apresentou nenhum fato concreto".

Noronha fez ainda outra ressalva, diferenciando o Brasil de países bolivarianos. "O que me leva a crer na falta de seriedade do pedido é se dizer que seria bom auditar por causa da rede social, onde se escreve o que se quer. O fato (que embasa o questionamento) não pode ser fofoca, rede social", disse ele. "Não somos a Venezuela, a Bolívia".
Reportagem de Cristiane Jungblut, do Globo, evidencia que a responsabilidade pelo pedido é do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), mas com aval do senador Aécio Neves (PSDB-MG). "Eu disse para o Aécio que tinha decidido pedir a auditoria e ele falou: “Carlão, você está na coordenação jurídica nacional, o que você achar que deve fazer, para mim tá bom”. Foi uma conversa muito rápida, de alguns segundos. Não entrei no detalhe jurídico de como isso seria feito, e ele não questionou nada", disse Sampaio ao Globo.
A decisão serviu, apenas, para arranhar a imagem do PSDB.

Fonte: Brasil 247


A hora e a vez de Wagner

Principal conselheiro, confidente e amigo da presidente Dilma Rousseff durante os dias mais tensos da corrida eleitoral, Jaques Wagner desponta como um coringa; já foi cotado para os ministérios da Fazenda, da Casa Civil e das Relações Institucionais; agora, a aposta é que ele assumirá a Petrobras, para criar uma agenda positiva para a empresa; conciliador e apto para o diálogo, palavra chave do segundo mandato, Wagner será um dos homens fortes do novo governo Dilma


É na praia de Inema, na base de naval de Aratu, que começa a nascer o segundo governo Dilma. E este fim de semana será crucial. Reeleita, Dilma estará face a face com aquele que foi seu melhor amigo, confidente e aliado quando tudo parecia perdido. Ele mesmo, Jaques Wagner, o governador da Bahia, que sai do processo eleitoral de 2014 como um dos maiores vitoriosos. Além de eleger Rui Costa como seu sucessor, contrariando mais uma vez os institutos de pesquisa, Wagner dedicou os dias tensos entre o primeiro e o segundo turnos para confortar a presidente Dilma. Quando muitos exigiam uma postura mais dura, Wagner era a voz serena que indicava o caminho a seguir. E dessa relação de intimidade e extrema confiança, o político baiano emerge como um dos homens fortes do segundo governo Dilma. Já foi cotado para assumir os ministérios da Fazenda, da Casa Civil e das Relações Institucionais. A nova aposta é que, agora, com a benção do Partido dos Trabalhadores, ele será presidente da Petrobras, a maior empresa brasileira, que esteve no centro da campanha eleitoral.

“A Petrobras precisa de alguém com autoridade política para reerguer sua imagem”, disse ao 247 um dos mais próximos interlocutores da presidente Dilma e também do ex-presidente Lula. “Além disso, o segundo governo Dilma vai colher tudo o que foi plantado no primeiro. E nos próximos anos, o Brasil se tornará um dos grandes produtores de petróleo do mundo. A Petrobras precisa de uma cara nova, com credibilidade, para sair das páginas policiais”, afirma.
Sindicalista, Wagner fez sua carreira ao lado dos petroleiros do polo petroquímico de Camaçari, na Bahia. Foi nessa condição de líder sindical que ele desenvolveu uma de suas maiores habilidades: a capacidade de dialogar. Não por acaso, a presidente Dilma Rousseff, em seu discurso da vitória, pontuou em diversas ocasiões que a marca do seu segundo mandato será o diálogo. E não há nenhum político, nos quadros do PT, que se enquadre tão bem nesse perfil quanto o governador da Bahia.

Pelo Facebook, ele levou mensagem de paz a quem pregou ódio e divisão do País na eleição que encerrou no domingo (5). “A eleição acabou. Vamos descer do palanque e começar a trabalhar para unir o país. É importante que haja críticas e questionamentos, mas sem ódio, sem dividir a população”.
O petista avaliou que é exatamente a vitória apertada da presidente Dilma Rousseff sobre o tucano Aécio Neves (PSDB) a principal motivação da chefe da nação para seu próximo mandato e mais uma vez pôs em prática seu estilo conciliador.
“A vitória apertada tem um lado bom. Ela nos obriga a entender que temos que trabalhar ainda mais para satisfazer as demandas daqueles que não acreditaram no nosso projeto. Não medirei esforços para realizar essa tarefa. Estou disposto a continuar ajudando a Bahia e o Brasil”.
Conciliador - Em entrevista ao Bahia 247 às vésperas do 1º turno, Wagner criticou o tratamento de choque do PT contra a então Marina Silva (PSB) e fez a mesma declaração no 2º turno, contra o tucano Aécio Neves. O governador da Bahia defende campanha propositiva. Foi assim também a de Rui Costa, eleito no primeiro turno com 54,5% dos votos válidos, quando as pesquisas apontavam vitória de Paulo Souto, do DEM.

Papel importante no PT e amizade com Lula e Dilma - Jaques Wagner teve no processo pré-eleitoral deste ano a missão de ser interlocutor de Lula e Dilma com o ex-governador de Pernambuco e candidato à presidência da República Eduardo Campos (PSB), que faleceu no dia 13 de agosto último num acidente aéreo em São Paulo. Wagner também era amigo de Eduardo e foram várias conversas até o socialista decidir mesmo oficializar sua candidatura. O governador da Bahia chegou a declarar, em nome do PT, que se Eduardo desistisse do pleito deste ano, ele seria o candidato do governo em 2018.
Ele foi líder do PT na Câmara dos Deputados em 1995, foi articulador de gerenciamento da crise quando estourou o 'mensalão', em 2005, quando era ministro das relações institucionais do então presidente Lula. Foi nesta época que se tornou amigo da presidente Dilma, então chefe da Casa Civil da presidência da República. Ele foi o primeiro ministro do Trabalho e Emprego de Lula. Antes foi deputado federal por três mandatos consecutivos.

Fonte: Brasil 247